Sindicatos e centrais sindicais de Alagoas reagiram negativamente à informação de que o Governo Federal orientou aos governos estaduais a não concederem reajuste ao funcionalismo público pelos próximos 24 meses, durante as negociações de refinanciamento da dívida pública com a União por mais 20 anos.
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Para a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, Rilda Alves, a recomendação vai de encontro aos interesses das classes trabalhadoras. “Se não tivermos os reajustes anuais, como ficam os servidores que tiveram os seus salários achatados no ano passado?”, questionou.
A medida é para permitir que as dívidas dos estados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sejam alongadas por mais 20 anos, ou seja, em vez de terminar em 2027, o pagamento acabaria apenas em 2047.
O Estado de Alagoas está entre os mais endividados da federação, com R$ 6 bilhões, e como parte do facilitamento ainda poderia pedir um “desconto” de 40% no valor das parcelas, limitado a R$ 160 milhões por mês, por até 24 meses, desde que o valor não pago nesse período seja transferido para as parcelas posteriores.
Reação
Segundo Rilda Alves, os trabalhadores pretendem discutir uma proposta de reajuste para o funcionalismo público estadual com o governo, na próxima semana, reagindo ao anúncio sobre o possível congelamento orientado nacionalmente.
"Nós iremos convocar o funcionalismo para que possamos ter o encaminhamento sobre como prosseguir diante dessa recomendação. Ainda não temos uma data, mas na próxima segunda deveremos resolver isso”, pontuou.
Sindicatos
Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Josimar Melo, a categoria avalia que o governo estadual tem condições para dar reajuste ao funcionalismo. “Alagoas teve um superávit de R$ 1 bilhão. O Governo Estadual não é obrigado a seguir as orientações do Governo Federal”, argumenta.
Josimar declarou ainda que a categoria não deve aceitar passar o ano sem reajuste salarial, apesar de que a negativa de aumento já era esperada.
“A categoria já previa que o [governador] Renan não daria reajuste esse ano. Tanto que está marcado para a próxima segunda-feira (28) um café da manhã em frente ao prédio da Secretaria de Planejamento e, para a próxima terça-feira, a realização de uma assembleia com indicativo de greve”, disse.
Já o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas, major Wellington Fragoso, lembrou que, apesar do contexto de contenção de gastos, há um acordo firmado com o Governo do Estado no ano passado que prevê no mínimo o reajuste referente à inflação anual.
“O nosso reajuste foi fixado em parcelas e a última, em três vezes. Além disso, o Governo havia se comprometido a implementar o IPC para os militares no final do ano, independente do auto das categorias”, disse.
Sobre a proposta do não ajuste salarial nos próximos 24 meses, Fragoso ironizou. “Se não tiver inflação, nós ficamos sem o reajuste”, pontuou.
Governo de Alagoas
Sobre a reação, esperada, dos sindicatos das categorias em relação ao não reajuste nos próximos dois anos, o governo de Alagoas se pronunciou afirmando que mantém a mesa de negociação permanente.
Em declaração na terça-feira passada, Renan Filho disse que, com a dívida alongada, serão realizados mais investimentos em estradas e em escolas em tempo integral.