Nova pílula anticoncepcional chega ao Brasil e promete menos efeitos colaterais

Publicado em 02/04/2025, às 20h26
Foto: Reprodução/Freepik
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Por Revista Crescer

A pílula oral é o contraceptivo mais popular entre as brasileiras, mas, como qualquer medicamento, podem causar efeitos colaterais. Entre as principais reclamações estão dores de cabeça, sensibilidade e dor nos seios, retenção de líquido, alterações de humor e diminuição da libido. No entanto, uma nova pílula promete diminuir todos esses efeitos negativos no organismo das mulheres.

Desenvolvido pelo laboratório belga Mithra Pharmaceuticals e produzido no Brasil pela farmacêutica Libbs, o Nextela possui a combinação da drospirenona com o estretol (E4), um estrogênio idêntico ao natural, que só é produzido pelo fígado do feto durante o período da gestação. "No entanto, para fins terapêuticos e no mercado farmacológico, é produzido em laboratório a partir de fontes vegetais", explica Maria Celeste Wender, presidente da Febrasgo — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, em evento de apresentação do produto a jornalistas, em São Paulo.

Juliana Brandão, coordenadora de relacionamento científico da Libbs e pós-doutora em ciências e medicina translacional, afirma que o estretol "causa menor impacto no organismo". "Em função disso, o Nextela demonstrou redução na proliferação das células mamárias, causando menos dor e inchaço e, no fígado, também há um impacto mínimo. Qualquer medicação precisa ser metabolizada pelo fígado, mas o E4 causa um impacto hepático mínimo com geração de metabólitos fracos ou inativos", diz. "O estretol tem menor impacto também nos fatores de coagulação, na pressão arterial, não altera os níveis de carboidratos e possui uma absorção alta — de 70% —, aumentando, assim, a sua eficácia", completa.

Juliana explica ainda que, em função do equilíbrio hídrico, segundo os estudos conduzidos com a pílula, as mulheres tiveram redução de peso. "30% das usuárias de Nextela apresentaram uma redução de 2 kg após três meses de uso. Não necessariamente de perda de massa ou gordura, mas, sim, porque ele não provoca retenção hídrica", esclarece.

A pílula também não causou alterações na libido e demonstrou a menor taxa de tromboembolismo venoso (TEV) em comparação aos outros contraceptivos orais combinados. "Apenas um caso em estudo clínico com mais de 3,4 mil mulheres", pontua.

O Nextela é comercializado atualmente em mais de 40 país, entre eles, Canadá, Estados Unidos, Japão e Rússia. "Em países da Europa, hoje, são mais de 380 mil mulheres fazendo o uso desse anticoncepcional", destaca a presidente da Febrasgo.

No Brasil, a nova pílula anticoncepcional foi aprovada pela Anvisa em 2023 e já começou a ser distribuída em farmácias brasileiras neste ano. Ela pode ser usada da menarca (primeira menstruação) à menopausa. No entanto, assim como todas as outras pílulas combinadas, não deve ser administrada durante o período de amamentação. Antes de fazer uso de qualquer pílula anticoncepcional, é indicado consultar um ginecologista.

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