Calendário de discussão do impeachment divide lideranças da oposição

Publicado em 03/12/2015, às 19h23
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Redação


A discussão sobre o melhor calendário para a votação processo de impeachment no Congresso contra a presidente Dilma Rousseff tem dividido lideranças da oposição e até mesmo integrantes do PSDB.


O presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves (MG), e o líder no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), defendem que o processo se arraste até o próximo ano. Nos cálculos do senador mineiro, que disputou a última eleição, a situação do governo deverá se agravar nos próximos meses - há uma sinalização de piora no quadro econômico, principalmente na questão do emprego.


"Talvez o recesso seja um momento para os parlamentares se encontrarem com as suas bases, com aqueles que aqui representam, e colherem de forma mais direta um sentimento que é amplo na sociedade brasileira, de que a presidente vem perdendo as condições objetivas de governar o País", afirmou Aécio. 


Por sua vez, Cunha Lima faz um paralelo com o processo de impedimento do ex-presidente de Fernando Collor. "O impeachment do Collor nasceu na rua e veio para o Congresso Nacional. Agora o pedido nasce no Congresso e tem que ir para a rua. A sociedade precisa se manifestar mais claramente, não apenas nas pesquisas de opinião. Só vai ter impeachment se houver rua", afirmou. 


Dentro do PSDB esse calendário estendido sobre a discussão do impeachment não é unanimidade. O senador e ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB-SP) defende inclusive cancelar o recesso Legislativo para que o tema continue sendo avaliado pelos parlamentares.


"Agora é a oportunidade de fazer o processo. Tem que se fazer com a maior celeridade. A meu ver o Congresso não deve entrar em recesso, deve ser convocado. Essa não é uma questão para ser empurrada com a barriga", considerou. 


Essa mesma avaliação é defendida pelo líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO). "Qual é o exemplo que você dá para o País? Se você luta por isso, acolhe e instala a comissão e quando chegar o dia do recesso encerra e vamos pensar só em fevereiro? Não sei como explicar para o cidadão brasileiro que nós vamos entrar de férias e voltar só no dia 2. Vocês fiquem aí, a recessão continua e depois a gente volta para resolver impeachment. É isso?", ressaltou.


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